17 de fevereiro de 2009

Por que é que não somos homossexuais?

A pedido de um amigo, João Azevedo, encaro agora a grande questão dos nossos tempos: por que é que não somos homossexuais?

Esta questão foi debatida por mim com um conjunto de amigos, em finais de Julho do ano passado, numa noite em que, sonolentos, desafiávamos os nossos corpos a uma directa. Estávamos porém, sem tema de conversa. Surgiu então esta dúvida, e achamos por bem debatê-la.

No entanto, depois de alguns fúteis minutos a tentar responder a esta dúvida, chegamos à conclusão consensual de que a resposta mais acertada era: "não faço a mínima ideia!". Hoje, uns meses depois, venho confirmar a minha teoria de que "não faço a mínima ideia!" é a resposta mais sensata, ponderada e coerente que podemos dar a esta pergunta, que, apesar de pertinente, não faz sentido nenhum!

Assim, o que eu vou fazer, não passa de a narração de pensamentos insensatos, imponderados e incoerentes, pelo que solicito que não se chateiem com nenhuma das minhas ideias, e excluam desde já a hipótese de que alguma coisa que eu escreva tenha fundamentos discriminatórios ou mesmo de chacota contra os homossexuais, uma vez que, se houver alguma parte que possa ser interpretada como tal, é, e fique bem claro, má interpretação do leitor, já que esse não é o propósito deste texto, que eu intitularia como pura parvoíce.


Vamos agora ao que interessa, a razão pela qual não somos homossexuais!


Eu diria que, uma primeira explicação, seria o facto de sermos necessários à continuação e sustentabilidade da espécie. É necessário haver um número mínimo de heterossexuais para assegurar a continuidade da existência dos homossexuais. Senão reparem: se todos fôssemos homossexuais, para haver procriação, e respectiva continuidade da espécie, seria necessário que fôssemos submetidos a relações relativamente nauseabundas com seres do sexo oposto. Digo nauseabundas porque assim as consideraríamos, uma vez que seríamos homo.

Assim, tornar-se-ia necessário que existissem pessoas prontas a sofrer o drama de ser hetero, em favor da continuidade da espécie!


Outra hipótese será o erro. Muitas vezes oiço dizer que a homossexualidade não é natural, e confesso que não consigo evitar sorrir da ignorância de quem me transmite tal disparate. Passo a explicar: uma pessoa, ao dizer que a homossexualidade não é natural está a afirmar que os homossexuais não são naturais, isto é, são artificiais. Essa ideia é simplesmente absurda! Além do mais, em muitas outras espécies animais há homossexualidade! Estou, de momento, a lembrar-me dos cães. Quem nunca viu um cão tentar cobrir outro?
Excluída a ideia de a homossexualidade não ser natural, proponho uma nova hipótese: a heterossexualidade é um erro da natureza! Fomos criados para ser homossexuais, e o tiro saiu pela culatra!

Por fim, uma última possibilidade: a heterossexualidade é uma doença!
E é uma doença de tal forma aceite pela sociedade que as pessoas chegam ao ridículo de lhe chamar "normalidade".
Sejamos realistas: muitos dizem que a homossexualidade é uma doença, sem qualquer fundamento. Eu tenho muitos mais fundamentos para afirmar que a heterossexualidade é uma doença, e das graves!
E dizem-me vocês: mas se quase toda a gente é heterossexual, a homossexualidade é que é uma doença!
Não, respondo-vos eu! É verdade que há mais heterossexuais do que homossexuais, mas imaginemos o seguinte: numa certa aldeia uma pessoa tem gripe. Rapidamente, 90% dos habitantes da aldeia são contagiados com essa mesma gripe. A câmara municipal, preocupada com a situação, manda vir uma equipa de 30 médicos para curar esta epidemia. Os médicos chegam, analisam a população da aldeia e declaram "agora temos de desenvolver um método de cura para esta doença que já afecta 10% da população: a falta de gripe!". E isto porquê? Porque a maior parte da população tem gripe, logo a doença é não a ter!
Parvoíce diriam vocês ao ouvir a declaração dos profissionais de saúde; mas, na verdade, vocês mesmos afirmam que a homossexualidade é uma doença só porque a maioria da população é heterossexual.
E pensemos, a heterossexualidade tem muitos mais perigos. Ou acham que alguma vez a prática de actos homossexuais nos levaria a sofrer o drama de um quisto que aumentava progressivamente no abdómen da mulher, durante 9 meses até sair um ser feio, nu e sem dentes, no qual tentaríamos desesperadamente encontrar semelhanças com nós mesmos e não nos deixaria dormir durante meses, para não dizer anos? Sim, refiro-me àqueles seres horrendos, fruto da doença da heterossexualidade, aos quais gostamos de chamar bebés!


Por fim, deixo à vossa consideração qual das hipóteses será a mais convincente e convido-vos a proporem outras respostas possíveis a esta grande questão da actualidade: por que é que não somos homossexuais?