11 de março de 2009

Casamentos e adopção por homossexuais

Após o último post, muito controverso, acerca da razão pela qual não somos homossexuais, decidi deixar um outro, de índole mais séria!

Venho deixar-vos a minha opinião acerca do casamento e adopção por homossexuais.

Começando pelo casamento, considero que é bastante simples! Na verdade, é-me muito difícil de compreender o porquê de, em pleno século XXI, ainda se aceitar que alguém diga que os casamentos homossexuais não devem ser permitidos. É, para mim, sinal de atraso sócio-cultural, de uma sociedade que se recusa a aceitar a diferença!

No entanto, já me confrontaram com inúmeros argumentos.

Uns dizem-me que a homossexualidade é uma doença!
Confesso que acho um absurdo, mas não sou médico, nem todos os médicos estão em concordância nesse aspecto (se bem que a maior parte acorda que a homossexualidade não é uma doença, e já há muito tempo foi declarada como não o sendo pela Organização Mundial de Saúde, com ou sem lobbys, se doença fosse, como tal seria tida). Mas... e se fosse? Nunca ouvi ninguém defender que os cegos, os paralíticos, os asmáticos ou os engripados deviam ser proibidos de casar!

Outros são os que me dizem que um casamento, digno do nome, tem de ser entre um homem e uma mulher para que seja possível a procriação e criação de família, uma vez que o objectivo desta instituição matrimonial é a procriação!
Admito que fiquei abismado a primeira vez que ouvi esta declaração, e dei comigo a pensar imediatamente: "E os casais heterossexuais inférteis? Ou que simplesmente não tencionam ter filhos? Não deveriam também ser proibidos de casar?".

Já ouvi inúmeros disparates como estes! Acho que os homossexuais são extremamente discriminados, e olho com tristeza para este pensamento egoísta assumido pela sociedade de hoje!

Aqui entra também a Igreja, grande opressora dos homossexuais! Sou cristão católico, mas fico profundamente indignado com aquilo que oiço ser dito pelos "grandes" da Igreja acerca dos homossexuais! Sinceramente, sinto que a Igreja entendeu tudo ao contrário! Na minha opinião, devia ser a primeira a defender o casamento homossexual.
Não foi Jesus Cristo, aquele que dizemos seguir, quem declarou a igualdade de todos perante Ele e o Pai? Não me lembro de Ele ter dito nada como "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei, a não ser que sejam homossexuais, nesse caso, segreguem-nos, destruam-nos, são menos que os outros!", mas prometo que vou reler a Bíblia e estou certo de que vou encontrar tal declaração do Messias! E, sejamos verdadeiros, alguma passagem nas sagradas escrituras diz que Jesus Cristo era heterossexual?

A propósito, informou-me um amigo que, na Antiga Grécia, a homossexualidade não só era aceite e eram celebrados casamentos homossexuais como esta orientação sexual ainda era socialmente valorizada. Há também registos de casamentos homossexuais celebrados no Império Romano. (Desenganem-se aqueles que pensavam que o atraso social que sofríamos no início da Idade Média face ao Império Romano já estava recuperado).

Considero portanto, todos estes argumentos e os outros contra o casamento de homossexuais, desculpas esfarrapadas para discriminar uma minoria, que por o ser em termos sexuais, e Deus sabe o tabu que existe nessas questões, a sociedade pensa que os Direitos Humanos (de um mundo justo e livre) não lhes são aplicáveis! Proibir o casamento homossexual, é, para mim, privar os homossexuais do mais importante dos Direitos Humanos, direitos inalienáveis de QUALQUER ser humano!

Passando agora para a adopção por homossexuais.
Nesta área há comentários um pouco mais pertinentes. Já ouvi muitos argumentos contra a muitos a favor, mas pensemos: de que é que uma criança precisa para crescer?
Na minha opinião, a resposta é simples: amor, afecto, alimento, saúde e educação.
Sinceramente, considero que um casal homossexual tem tantas ou mais condições para proporcionar isto a uma criança do que um casal heterossexual!
É certo que nem todos os casais homossexuais seriam pais perfeitos; mas, e os heterossexuais, são?

Dizem-me muitas vezes: "Faz-me confusão que uma criança tenha que chamar pai ou mãe a duas pessoas e não pai a uma e mãe a outra!". Esta afirmação é, na minha opinião, de um profundo egoísmo e desconsideração, não só pelos casais homossexuais, mas também, e sobretudo, pelas crianças! Reparem, em Portugal há mais de 11 000 crianças institucionalizadas, isto é, a viver em orfanatos. Serão estas as crianças a ser adoptadas pelos casais homossexuais. Será uma criança mais infeliz se tiver dois pais ou duas mães, ou se tiver apenas um ou mesmo nenhum dos dois (e mostram os números que cada vez mais são as que se encontram nessa situação).

Mas vejamos para além disto: em Portugal é permitido a um indivíduo solteiro, do sexo masculino ou feminino, adoptar uma criança. Porém, se a esse indivíduo se juntar um do mesmo sexo, extingue-se esta hipótese. A meu ver, é uma norma insensata e absolutamente desprovida de sentido.

E a criança? Dizem muitos que será mentalmente perturbada e muito provavelmente homossexual, tendo aprendido com os pais adoptivos. Provas há de que estas constatações se tratam tão-só de levianas insinuações de pessoas que provam não ter qualquer conhecimento do caso. Os E.U.A., por exemplo, há muito que admitem a adopção por homossexuais, e, as crianças por estes adoptadas são tão capazes como as outras, e a sua orientação sexual não é em nada influenciada pela dos pais adoptivos.

O único argumento que ouvi digno de algum debate é o facto de a criança em questão se poder tornar, entre os colegas, motivo de chacota. Sim, provavelmente algumas serão, como também são muitas daquelas que nunca chegam a ser adoptadas por viverem em orfanatos, e como também é motivo de chacota tudo o que é novidade. Sim, algumas crianças serão motivo de chacota, as primeiras o serão, mas não só essas viverão melhor, como será permitida uma melhor vida a muitas outras mais tarde.

Assim, e para finalizar, considero a adopção por parte de casais homossexuais um direito, tanto dos casais como das próprias crianças, que não deve ser, de modo algum, negado. É absurdo e inaceitável que permitamos que as coisas continuem assim.