30 de agosto de 2009

O meu melhor Amigo

Perguntam-me muitas vezes o que me faz acreditar num Deus que "não nos dá provas de existir e permite que haja tanta miséria no mundo". Esta pergunta é-me feita não só por amigos ateus ( houve mesmo um amigo que me disse: "É estranho como uma pessoa inteligente como tu acredita em Deus."), como mesmo por amigos que também se dizem católicos e por alguns que até gostam ou sentem obrigação "familiar" de assistir à Eucaristia. Digo assistir porque só lá vão "ver o que se passa". Eu gosto de participar na Eucaristia.
Eu próprio já me deparei inúmeras vezes com esta dúvida: a existência de Deus. E não é fácil explicar o que me faz afirmar com toda a certeza que uma frase pode ter em mim: "Deus existe!".

Para começar, acredito na evolução: o ser humano foi criado a partir de um certo ser, que foi criado a partir de outro, e assim sucessivamente. Tudo começou no "Big Bang". (Peço desculpa pela falta de precisão na descrição de tudo isto, mas tanto as Ciências da Natureza como a Física só me foram leccionadas até ao 9º ano, e já lá vão três anos.). Mas o que é que permitiu o "Big Bang"? O que é que fez com que a tal "poeira" se transformasse no Universo? O que é que fez com que a tal "poeira" existisse antes de tudo? Eu acredito que foi Deus. E, na minha opinião, foi também Ele que nos deu a capacidade de pensar, de escolher, de ser mais fortes do que o nosso próprio instinto. Mas nenhum destes dons de auto-controlo nos seria minimamente útil se fosse Ele a controlar-nos, não é assim? Então Ele deu-nos o livre arbítrio. Assim, não faz sentido que O culpemos pelos males do mundo. Ele deu-nos a vida, nós fazemos dela o que bem entendermos. Além disso, a morte faz parte da existência. Para nós tem uma importância enormíssima, mas para um Deus que nos anuncia a vida eterna, a nossa existência terrena pode não ter assim tanta importância. Talvez estejamos aqui apenas de passagem, uma experiência que Ele quer que nós tenhamos por alguma razão.
Eu acredito em Deus, sinto-O e tenho-O (ou, pelo menos, tento tê-l'O o mais possível) presente no dia-a-dia, mas acredito que Ele não é mais do que isso: uma crença. Se não acreditarmos n'Ele, desaparece, porque deixa de fazer sentido. Foi o que aconteceu, por exemplo, com os deuses romanos. Eles agora são apenas recordados pelas grandes obras de arte que foram erguidas em seu nome e pelo seu valor histórico, não existem porque ninguém acredita neles. Mas naquele tempo existiram, pelo menos para quem acreditou, existiram.
O meu Deus, é um Deus único. É um Deus que se entrega a todos, mas é diferente em todos. Na minha perspectiva, há um Deus diferente em cada um de nós, um Deus à nossa imagem e semelhança, como nós o imaginamos, mas no fundo é o mesmo Deus: é o nosso "bocadinho de Deus". Cada um de nós O vê e O trata como O sente; eu vejo-O como um amigo e trato-O por Tu.

Se Ele existe, já não tenho dúvidas: para mim, é mais certo Ele existir do que eu próprio.
Quando preciso de conforto, Ele conforta-me; quando preciso de acalmar, acalma-me. Estar com Ele, falar com Ele, ajuda-me nos momentos mais difíceis. Por isso, nem que mais não seja, para mim, Ele existe!
É tão real como o mundo. Ele pode até estar só na minha cabeça, mas e o mundo? Se calhar também.

Outra coisa que me perguntam muitas vezes é por que é que eu vou à missa, o que me faz gostar de lá ir. A resposta a esta pergunta é ainda mais difícil, e ao mesmo tempo facílima: sinto-me bem, sinto-me mais perto d'Ele.
Já agora, deixo aqui uma passagem do que escrevi hoje no meu caderno que pode ajudar a compreender o que sinto quando vou à missa:

"Hoje na missa estava menos gente do que o costume, por ser Agosto talvez. Só encontrei cinco ou seis pessoas conhecidas, estavam todos de férias. Mas quando olhava para cada um, via nele um amigo, independentemente de todos os aspectos exteriores, cada um ali era um bocado de Deus, e eu conseguia senti-l'O. O padre sorriu-me quando comunguei, talvez por me reconhecer, como sorri sempre. Mas hoje notei mais no sorriso dele, tinha Deus presente no sorriso. Nas caras das pessoas, mesmo as sem expressão facial, eu vi um sorriso, o mais profundo, um sorriso no olhar. Deus sorria-me através de cada um. Quando comunguei senti-O em mim, e ardeu-me o peito. No fim, senti-me calmo, como se nada se passasse à minha volta. Cumprimentei alguns amigos e fui embora, feliz. Quem me olhasse de relance só me via a mim, mas se alguém me olhou nos olhos, viu de certeza um sorriso, o mais profundo, um sorriso no olhar. Um sorriso d'Ele. Hoje, como todos os domingos, senti-me feliz por senti-l'O ainda mais perto."
Por fim, para mim Deus é o único ser puro que existe, prefere os fracos aos poderosos, enviou o seu filho para salvar os pecadores. Há uma pergunta que fez uma vez na homilia o padre da Minha paróquia (S. Victor - Braga) e me fez pensar durante semanas na minha própria resposta: "Precisamos de homens fracos para que neles se possa manifestar Deus. Alguém está disponível?".
E tu, estás?