13 de janeiro de 2011

Ser criança.

Uma vez, em conversa com uma amiga, a Ir. Ana Carvalho, disse, como costumo dizer muitas vezes, que "ser criança é um estado de espírito". Na sequência disso, ela fez-me esta pergunta no meu formspring, cuja resposta resolvi partilhar hoje aqui no blogue (isto foi já há cerca de 7 meses no final do ano lectivo 2009/2010):




«Ser criança é um estado de espírito» O que é ser criança?


Costumo dizer que ser criança é um estado de espírito, a infância é um tempo que não passa desde que o queiramos eternizar. Para mim, ser criança é ter os olhos sempre abertos à eterna novidade que o mundo tem para nos oferecer. É saber acordar todos os dias com um sorriso e encarar a vida como algo que vale a pena e que tem que se aproveitar. É sonhar, sonhar muito, ser feliz com o que se tem e não infeliz por se querer ter mais. É dizer que se conhece uma pessoa quando se sabe aquilo de que gosta ou não gosta e não quando se sabe quanto mede, que idade tem e se é bonito ou feio. É ser-se sincero e dizer-se aquilo que se sente sem nunca ter a intenção de magoar ninguém. É saber perdoar os outros pelo que lhes fazem e saber dizer "gosto de ti" ou "és especial para mim" àqueles de quem se gosta. É ver mais do que vêem os olhos ("o essencial é invisível aos olhos"), como o Principezinho que pediu uma ovelha desenhada e rejeitou vários desenhos em que ela parecia débil; o aviador, já sem paciência desenhou uma caixa e disse «Isto é a caixa. A ovelha que tu queres está lá dentro.», o rosto dele ilumina-se e ele diz «Era mesmo, mesmo assim que eu queria! Achas que esta ovelha vai precisar de muita erva?». É importar-se com o que realmente importa (peço desculpa por ser tão repetitivo, mas tenho de voltar a citar o meu pequeno amigo do asteróide B 612: «As flores fabricam espinhos há muitos milhões de anos. Apesar disso, as ovelhas comem flores há muitos milhões de anos. E vens-me tu agora dizer que tentar perceber por que é que elas têm tanto trabalho a fabricar espinhos que nunca lhes servem para nada não é uma coisa séria! Que a guerra entre as ovelhas e as flores não é uma coisa importante!»). Ser criança é amar a vida, o mundo e as pessoas, é não conhecer o ódio nem o desprezo. E é isso que tento ser a cada dia, dar o melhor de mim às pessoas e ao mundo. Por vezes é difícil, porque o convívio com as pessoas grandes me envelheceu um pouco, mas enquanto puder olhar para o sorriso de uma criança e conseguir ver aquela inocência e pureza verdadeira, serei feliz. As pessoas grandes discriminam, desprezam, odeiam, falam mal, matam, etc. As crianças amam, apenas! Talvez se todos nós fôssemos um bocadinho menos crescidos e um bocadinho mais crianças, o mundo fosse muito melhor!
Mas o pior que as pessoas grandes fazem é tornar as crianças em pessoas grandes, «Porque todas as pessoas grandes já foram crianças. (Há é poucas que se lembrem disso.)».
Eu NUNCA quero deixar de ser criança, NUNCA quero deixar de amar nem de sorrir cada vez que o mundo me coloca um obstáculo.
(Peço desculpa por me ter alongado tanto na resposta, mas era completamente inevitável!)