20 de junho de 2011

Pedro, vamos contar-te uma história.

(Texto que fiz para ler, com a minha irmã, no acolhimento do baptismo do Pedro, nosso afilhado, a 17 de Janeiro de 2009).

Pedro, vamos contar-te uma história.

Era uma vez, há muitos muitos anos, uma pequena gota de água, que ia ser baptizada. Os pais dela decidiram convidar o Arco-Íris para seu Padrinho, pois acreditavam que este podia levar alguma cor à vida da gotinha. O Arco-Íris aceitou o convite de bom grado. Porém, quando parou para pensar no compromisso que acabara de assumir, apercebeu-se de que não sabia sequer o que era ser Padrinho.

Decidiu então perguntar às suas cores o que sabiam elas disto. Começou pelo Violeta, que lhe respondeu prontamente:

Ser Padrinho é saber nunca se alhear das dificuldades do afilhado, é saber dar-lhe carinho e ternura, como as flores que de violeta enchem os campos. É saber acariciá-lo e estar sempre de braços abertos para o receber!


Perguntou então ao Azul o que era ser Padrinho. Ele respondeu:

Ser Padrinho é saber acompanhar e orientar o afilhado nas suas descobertas e nos seus caminhos, assim como o mar acompanha os marinheiros. É ajudar a explorar a liberdade, abrindo novos horizontes, assim como o azul do céu. É manter a mente aberta e compreender as suas escolhas.


Chegou a vez de perguntar ao Verde o que era, para ele, ser Padrinho. Ele disse, sem hesitar:

Ser Padrinho é ajudar o afilhado a amadurecer para que não permaneça sempre verde. É saber criar esperanças na vida dele sem que crie ilusões utópicas. É ajudá-lo a distinguir o certo do errado.


Então dirigiu-se ao Amarelo que lhe respondeu:

Ser Padrinho é saber trazer luz à vida do afilhado, é saber guiá-lo quando se perder na escuridão. É tê-lo sempre presente e servir-lhe de exemplo.


Voltou-se para o Laranja, fazendo-lhe a mesma pergunta. Como resposta:

Ser Padrinho é ser como uma chama na vida do afilhado. É saber dar-lhe calor e protecção, sem a converter nunca em dependência. É saber trazer um pouco de euforia à sua vida, sem cair no exagero, é ajudar a propagar nele a chama do Espírito Santo e acompanhá-lo na fé.


Por fim, o Vermelho , que respondeu:

Ser Padrinho é ajudar o afilhado a viver sempre a vida com paixão, é ajudá-lo a perceber melhor o valor da vida, aceitando os seus limites, é mostrar-lhe o quão apaixonante pode ser a vida. É acompanhá-lo e apoiá-lo nos momentos de dor e de tristeza e abrir-lhe o coração ao próximo.


Então, voltando-se para a sua última cor, o pequeno Anil, o Arco-Íris pediu-lhe que lhe ajudasse a resumir tudo aquilo que as cores tinham dito. O Anil, depois de pensar algum tempo, disse por fim:

Um Padrinho tem de saber receber o afilhado de braços e coração abertos e acarinhá-lo, orientá-lo e ajudá-lo a amadurecer na vida e na fé. Tem de lhe dar abrigo e abrir-lhe o coração, para que possa, ele também, receber outros no seu amor, pois só é possível ensinar uma gotinha a amar, amando-a.


Um Padrinho deve ajudar o afilhado a crescer com o calor, o carinho e a orientação necessários. Deve ajudá-lo a ultrapassar os seus obstáculos e a manter o coração e a mente abertos, sempre com esperança num futuro prodigioso.


Deve preparar o caminho para que ele cresça em sabedoria e em graça.


Assim, também nós, ao assumirmos este compromisso, iremos estar sempre presentes na tua vidae preparar o teu caminho, para que possas crescer, como a Gotinha, em graça e sabedoria. Esperamos estar à altura de o cumprir.

És para nós luz após a cinza, sinal de esperança e de felicidade.

Que sejam tuas todas as alegrias do mundo!

Catarina e Nuno